domingo, 22 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
AS ELIZAS DO BRASIL E SUAS MORTES ANUNCIADAS
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Direito das Mulheres: Brasil vai mal
Do site da ADITAL,Agência de Informação Frei Tito para América Latina (gentileza de Leticia Pereira):
Durante a XI Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe (Cepal) em Brasília, informou-se sobre resultados de pesquisa de países que respeitam o ‘Consenso de Quito’, documento para adotar medidas de ação positiva para garantir a plena participação das mulheres nos cargos públicos e representação política, em formular programas integrais de educação pública não sexista, promover o respeito aos direitos humanos integrais das mulheres indocumentadas, esforçar-se para firmar, ratificar e difundir a Convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher e seu Protocolo Facultativo, entre outras decisões.
Equipe técnica analisou dados qualitativos e quantitativos cedidos pelos próprios países e dados oficiais do Observatório Regional de Paridade de Gênero da Cepal para detectar quais nações mais se aproximaram da execução dos seus compromissos.
Neste ranking, a Argentina ficou no topo, e foi nomeado o país latino-americano que mais respeita os direitos das mulheres. Costa Rica, Chile, Uruguai, Panamá e México também ficaram em posições elevadas por cumprirem parte das promessas. Já o Brasil ficou em penúltimo lugar por não haver avançado nas dimensões básicas fundamentais para a garantia do exercício dos direitos das mulheres. O país só ficou abaixo da Guatemala.
http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=8&cod=49481
sábado, 24 de julho de 2010
Homenagens da UFBA: e as mulheres?
b) Reconfirmar a denominação de Pavilhão de Aulas Professor Alceu Hiltner ao atual PAF-II.
c) PAC: Pavilhão de Aulas Reitor Heonir Rocha.
d) PAF-III: Pavilhão de Aulas Glauber Rocha.
e) Pavilhao de Aulas de São Lázaro: Pavilhão de Aulas Professor Thales de Azevedo.
f) Nomear o antigo centro de convivência, hoje refuncionalizado para abrigar o restaurante universitário, como Restaurante Universitário Manoel José de Carvalho.
g) Reconfirmar a designação de Biblioteca Universitária de Ciências e Tecnologias Professor Omar Catunda.
h) Batizar a nova biblioteca de saúde como Biblioteca Universitária de Saúde Professor Álvaro Rubim de Pinho.
Prezado Reitor Naomar e demais integrantes desta lista:
Acabo de voltar da XI Conferencia Regional da Mulher Latino Americana e do Caribe, onde integrei a delegação brasileira como uma das
representantes da sociedade civil, e junto com mais de 700 pessoas de 33 países discutimos o tema "Que Estado, para que igualdade?".
No documento final - o Consenso de Brasília - foram acordados compromissos de todos os governos para a superação das desigualdades de gênero em nossa região (www.eclac.org).
Lá também celebramos a recente criação por parte da Assembléia Geral das Nações Unidas de uma nova entidade para a igualdade de gênero e delegação de poderes às mulheres, chamada ONU Mulheres.
É portanto com desconforto e espanto que constato entre tantas homenagens, aprovadas pelo egrégio Conselho Universitário, não há sequer um nome de mulher.
Não há na história da UFBA mulheres que mereçam homenagens?
Espero ainda poder assistir o dia em que o culto à memória nesta instituição inclua homens e mulheres, que vêm construindo a UFBA e
levando ao mundo seu valor social e cultural, sem discriminação.
Estela Aquino
Coordenadora do MUSA
Instituto de Saúde Coletiva
MUSA-Programa em Gênero e Saúde
I SEMINÁRIO INTERNACIONAL: POLÌTICAS DE ENFRENTAMENTO Á VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA AS MULHERES XVI SIMPÓSIO BAIANO DE PESQUISADORAS (ES) SOBRE MULHER
Violência de Gênero: suas várias faces
08 a 11 de novembro de 2010
Salvador - Bahia
O Simpósio Baiano de Pesquisadoras(es) Sobre Mulher e Relações de Gênero é um evento que faz parte das atividade anuais do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher – NEIM/UFBA – e este ano chega a sua décima sexta edição com o tema Violência de Gênero: suas várias faces. Este ano, junto ao simpósio, teremos também I Seminário Internacional: Políticas de Enfrentamento à Violência de Gênero Contra As Mulheres também realizado pelo NEIM, em parceria com OBSERVE-Observatório de Monitoramento da Aplicação da Lei Maria da Penha.
O objetivo dos encontros é debater as diferentes manifestações da violência de gênero, como também iniciativas e experiências voltadas para coibir a violência de gênero, abrangendo tanto o plano teórico como práticas desenvolvidas no âmbito acadêmico, das políticas públicas, seu monitoramento e nos demais processos educativos, organizacionais e políticos em curso na nossa sociedade. Buscamos dar visibilidade às diversas formas de agressão possíveis, não apenas os abusos físicos, mas também a violência moral e psicológica, os abusos patrimoniais, a violência ocorrida dentro das relações familiares ou institucionais.
Enquanto o simpósio será um espaço mais voltado para pesquisas e discussões acadêmicas, o seminário internacional focará em reflexões e construção de parcerias, nacionais e internacionais, voltadas para o monitoramento das políticas de enfrentamento à violência de gênero contra a mulher, contando inclusive com representantes de observatórios de violência existentes na Ásia, Europa e América Latina.
As propostas de trabalho deverão se voltar para o debate acerca das diferentes manifestações de violência de gênero contra as mulheres e iniciativas e experiências voltadas para coibir a violência de gênero, abrangendo tanto o plano teórico como práticas desenvolvidas no âmbito acadêmico, das políticas públicas, seu monitoramento e nos demais processos educativos, organizacionais e políticos em curso na nossa sociedade. Em especial, com o I Seminário Internacional: Políticas de Enfrentamento á Violência de Gênero contra as Mulheres, pretende-se abrir um espaço para reflexões e a construção de parcerias, nacionais e internacionais, voltadas para o monitoramento dessas políticas.
Inscrições de trabalhos até dia 15 de agosto.
Cartas de aceite enviadas até 03 de setembro.
Informações: neim@ufba.br
terça-feira, 13 de julho de 2010
Flor do Deserto
A maioria dos filmes biográficos - principalmente os norte-americanos - caracterizam-se por contar a história de uma pessoa que ou revolucionou o mundo de alguma forma, ou teve uma infância complicada, mas que, no futuro, conseguiu dar uma volta por cima, trazendo uma "lição de vida" para todos. Dentre os filmes desse gênero podemos citar: O Martírio de Joana D'Arc; Piaf - Um Hino ao Amor; Coco Antes de Chanel; Frida, entre outros.
No dia 25 de junho, estreou mais um filme biográfico nas telinhas do cinema. O longa chama-se Flor do Deserto, roteirizado e dirigido por Sherry Homan, e conta a história de Waris Dirie, uma modelo de fama internacional que nasceu e passou a infância no deserto da Somália. Baseado no best-seller homônimo escrito pela própria modelo, o filme, no geral, é muito interessante e surpreendente.
A história não é contada de forma linear. No começo do filme, temos um breve acesso à infância de Waris, em pleno deserto da Somália. Lá, nos é apresentada as condições de vida da protagonista e sua família: eram nômades, trabalhavam com o pastoreio, moravam em uma barraca sem nenhuma estrutura, a comida era escassa e tinha que ser dividida entre todos os irmãos. Logo depois, o cenário muda completamente e já estamos em Londres, cidade moderna e movimentada. Ainda não sabemos como Waris foi parar lá, mas é perceptível que ela não está adaptada ao local. Ela vive nas ruas, cata lixo para sobreviver e ainda não sabe falar inglês fluentemente.
Um dia, ao entrar em uma loja de conveniência, a protagonista acaba conhecendo Marylin, uma aspirante a dançarina que vive frustrada por não conseguir a aprovação de nenhuma escola de dança. Depois de insistir muito para passar uma noite com a moça e não dormir na rua, Waris consegue conquistar, aos poucos, a amizade de Marylin, que passa a incentivar a somali a mudar de vida. A partir disso, a vida de Waris começa a tomar outros rumos.
Cena do filme Flor do Deserto
Waris passa a trabalhar no McDonald's, local onde sua beleza é notada pela primeira vez pelo famoso fotógrafo Terry Donaldson, que propõe que a moça realize um ensaio fotográfico com ele. Depois de muito tempo, finalmente Waris decide aceitar o convite e, devido ao sucesso proporcionado pelas fotos, começaram a surgir várias oportunidades de trabalho como modelo fotográfica e, posteriormente, como modelo de passarela.
Com o passar do tempo, Waris fica conhecida mundialmente, tendo o seu rosto estampado em outdoors e capas de revistas de moda. O dia em que Terry Donaldson descobriu a modelo passou a ser conhecido como "o dia que mudou a vida de Waris Dirie". Porém, o mundo não sabia que, na verdade, o dia que mudou a vida da modelo aconteceu na Somália, quando ela tinha apenas cinco anos.
Waris sofreu uma mutilação genital feminina do tipo infibular, em que ocorre a remoção do clitóris, do prepúcio, dos lábios maiores e menores, deixando apenas uma pequena passagem da urina e do sangue menstrual. O ritual foi feito de forma inadequada, sem qualquer tipo de higiene, causando uma infecção na região vaginal que só cessou quando a modelo fez uma cirurgia depois de adulta.
Ao longo do filme, aparecem diversas cenas que provocam uma reflexão a respeito dessa prática. Uma delas é o diálogo que ocorre entre a modela e Marylin, sua amiga:
Waris
Uma mulher de respeito não faria isso.
Marylin
Uma mulher pode fazer o que quiser e ser respeitada.
Waris
As mulheres cortadas que são boas.
Marylin
Cortadas como?
(Waris levanta o vestido)
Marylin
Quem... quem fez isso com você?
Waris
Não fizeram isso com você? (chorando)
Na cena final do filme, Waris, que havia assumido publicamente um dos seus maiores segredos, realiza um discurso público em um encontro da ONU, onde critica essa prática e propõe uma discussão sobre "o que é ser mulher". Parte do discurso pode ser conferido abaixo:
domingo, 27 de junho de 2010
Bem educadas
As mulheres entraram, efetivamente, no mercado de trabalho em um contexto extremamente conturbado, durante a Segunda Guerra Mundial, quando precisaram ocupar o lugar da mão de obra masculina, que estava diretamente envolvida no conflito. Com o fim da guerra, as mulheres foram convidadas a retornar a seus lares no momento em que, regularizada a situação, os homens voltariam a ocupar os postos de trabalho, dando origem a vários questionamentos por parte das feministas.
O título remete a duas idéias principais. A primeira é a de que, a despeito do que se pode aprender através do ensino superior formal, a “escola da vida” é fundamental para a nossa formação enquanto indivíduos. Para além disso, Educação se refere ao modo como a jovem Jenny e todas as moças da época eram criadas: com o intuito de arranjar um bom partido a fim de garantir um futuro confortável. De uma forma ou de outra, os dois sentidos do título estão interligados, Jenny vai aprender através de suas próprias experiências como esse tipo de educação pode influenciar seu futuro.
Os pais da moça mostram uma preocupação extremada com seus estudos, querem que ela se forme a qualquer custo e conquiste uma vaga em Oxford. Até certo ponto é o mesmo cuidado que sua professora, Mrs. Stubbs, apresenta. Mas à medida que a trama se desenvolve, percebemos que são preocupações totalmente diferentes. O pai vê nos estudos uma forma de valorizar Jenny. Com as mudanças ocorridas na sociedade da década de 60, menina prendada e boa pra casar não é mais aquela que sabe cozer, limpar e passar – mas aquela que discute literatura, entende de arte e se expressa com desenvoltura. Mudaram-se os padrões, mas a finalidade permanecia a mesma.
Por outro lado, a preocupações de Mrs. Stubbs são outras, ela tenta de todas as formas trazer sua aluna de volta aos estudos como forma de garantir sua independência. Durante uma discussão entre as duas, algumas questões interessantes são levantadas. Jenny é prática e ao mesmo tempo realista ao argumentar que, por mais que ela consiga seu diploma, ainda assim as possibilidades de um futuro promissor seriam poucas. Na época, apesar da inserção cada vez maior das mulheres no meio acadêmico, as possibilidades de emprego, onde se realizassem atividades de acordo com a formação de ensino superior, eram poucas.
Atualmente as mulheres ainda encontram dificuldades nesse sentido, os problemas relativos ao mercado de trabalho são outros, a grande maioria das funções está disponível e são exercidas também por mulheres, mas o salário nem sempre é o mesmo. Em 2008, pesquisa do IBGE apontou que mulheres recebiam, em média, 71% do rendimento dos homens. No caso das que apresentam nível superior completo, a remuneração passava a ser de 60% dos salários recebido pelos homens. Ou seja, as discrepâncias permanecem mesmo com o grau de escolaridade elevado. Em vista disso, está em tramitação no Brasil o Projeto de Lei 7016/10, que proíbe o pagamento de salários diferenciados para homens e mulheres com funções ou cargos iguais. O projeto, obriga a empresa infratora a indenizar a funcionária que sofrer discriminação, pagando valor equivalente a dez vezes a diferença salarial acumulada além das contribuições previdenciárias correspondentes. Ele prevê, ainda, mecanismos de fiscalização, implementados pela Receita Federal e pelo Ministério do Trabalho.
Na Europa, a discrepância salarial é menor, mas ainda assim considerável. Para trabalhar esse problema, a Comissão Européia para Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades trabalha com ações no sentido de diminuir essa disparidade. O Parlamento Europeu aprovou uma resolução em 2008, que contém recomendações à Comissão sobre a aplicação do princípio da igualdade de remuneração entre homens e mulheres.
Em 'Educação', fica subentendido que Jenny faz a escolha certa, mas talvez pelos motivos errados. Entretanto, importante no filme, é o pano de fundo, sutil, que se delineia através das modificações que as mulheres trouxeram para suas vidas durante os anos 60 e as décadas seguintes.
Ana Maria Wartke
*A questão da cidadania já fora discutida durante a “Primeira Onda” do movimento, quando as feministas lutavam pela extensão dos direitos políticos às mulheres, através da sua integração na noção, originalmente masculina, de cidadão.